Essa não chegou a ser propriamente uma Frankenpen... Talvez, fosse mais bem enquadrada como transplante de coração... A Long Life, é uma caneta que foi fabricada no pós guerra, durante a década de 50 (não há exatidão, pois a documentação é escassa...) na República Popular da China.
O que chamou minha atenção sobre a Long Life, foi o material de sua construção. Corpo, tampa e "nib section" da Long Life, são feitos em EBONITE, um dos polímeros mais antigos em produção. Segundo se afirma, ebonite foi descoberto por Charles Goodyear durante o processo que culminou com a invenção da vulcanização da borracha. A vulcanização, consiste de adicionar enxofre à borracha natural derretida a quente. Após esfriada, a borracha assume uma maior resistência à oxidação. Se o enxofre adicionado exceder determinada quantidade, a principal característica mecânica da borracha que é a elasticidade, se perde. Nos experimentos de Goodyear, ele percebeu que o material resultante era extremamente duro, facilmente trabalhável mecanicamente (torneamento, abrasão, polimento etc.) e que apresentava um belo brilho acetinado e escuro, assemelhado à madeira ébano (ebony em inglês), o que determinou o nome do polímero.
A Long Life, não é fabricada há muitos anos. Na China hoje, a grande maioria das canetas, inspira-se direta ou indiretamente nas canetas Parker de pena embutida. Inexplicavelmente, um enorme lote de Long Life, apareceu na Tailândia, anunciados em sites de leilão como o eBay... Num primeiro momento, a comunidade mundial de aficcionados, se perguntava se aqueles anúncios eram confiáveis, pois procediam de vendedores aparentemente desconhecidos. Os primeiros "corajosos" se arriscaram e as canetas começaram a chegar...
Não fui um dos primeiros, mas pelo valor, paguei pra ver. A caneta chegou. Tratava-se de uma caneta NOS, ou seja, sem qualquer uso, mas estocada há muitos anos. A falta absoluta de cuidados na estocagem, resultou em uma caneta totalmente suja e inoperante. Após limpa, lavada e desmontada, descobri que o "ink sac" da caneta havia se transformado em pó. Trocar um "ink sac", não é uma tarefa difícil. Difícil, seria esperar a chegada de um novo. Revirando meus guardados, encontrei um "ink sac" de Parker 51, que serviu perfeitamente.
A caneta ficou perfeita!!!
domingo, 13 de novembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Frankenpen II - Skater 1950
Felizmente já está mudando, mas até bem pouco tempo, produto chinês era sinônimo de falsificação mal-acabada. No ramo das canetas tinteiro, isso está bem longe de ser verdade hoje. Essa tendência entretanto, não foi exclusividade dos chineses. No pós guerra, o Japão estava em sérias dificuldades, pois sua indústria estava destruída e desacreditada.
Muito produto "inspirado", foi fabricado no Japão. A caneta mais famosa, foi a P. ARKER. Na caixa, vinha o ponto de abreviação na letra P, mas esse ponto logo sumia e a caneta virava uma PARKER...
Outro prodígio da época, foi a Skater. Enquanto a P. ARKER imitava a Parker 51, a Skater imitava as Parker Vacumatic em celulóide laminado (as famosas "rajadinhas"), que embora não fossem mais fabricadas, ainda tinham muitos seguidores.
Encontrei minha Skater no Mercado Livre. O vendedor pedia R$ 10,00. Ofereci R$ 5,00 e ele topou...
A caneta, chegou em estado de miséria. Não tinha clipe, estava com a tampa descolada longitudinalmente (as canetas em celulóide eram feitas de uma lâmina moldada e colada) e chacoalhava, isto é, fazia barulho de coisa solta dentro quando se balançava.
A pena, por incrível que pareça, era uma genérica folheada a ouro, que depois mostrou ser super macia.
Não seria propriamente uma Frankenpen se tivesse vindo com clipe... Depois de procurar fotos, encontrei uma onde aparecia a tampa em close. O clipe imitava a flecha da Parker. Revirando as sucatas, encontrei um velho clipe de Parker 51 Vacumatic que serviu direitinho.
Tampa colada, limpeza geral e fixação das peças internas (já que o "ink sac" incrivelmente estava íntegro...) e a caneta ficou pronta. Pode não ser uma caneta de "pedigree", mas há poucas sensações mais agradáveis do que tirar uma caneta da lata do lixo...
Muito produto "inspirado", foi fabricado no Japão. A caneta mais famosa, foi a P. ARKER. Na caixa, vinha o ponto de abreviação na letra P, mas esse ponto logo sumia e a caneta virava uma PARKER...
Outro prodígio da época, foi a Skater. Enquanto a P. ARKER imitava a Parker 51, a Skater imitava as Parker Vacumatic em celulóide laminado (as famosas "rajadinhas"), que embora não fossem mais fabricadas, ainda tinham muitos seguidores.
Encontrei minha Skater no Mercado Livre. O vendedor pedia R$ 10,00. Ofereci R$ 5,00 e ele topou...
A caneta, chegou em estado de miséria. Não tinha clipe, estava com a tampa descolada longitudinalmente (as canetas em celulóide eram feitas de uma lâmina moldada e colada) e chacoalhava, isto é, fazia barulho de coisa solta dentro quando se balançava.
A pena, por incrível que pareça, era uma genérica folheada a ouro, que depois mostrou ser super macia.
Não seria propriamente uma Frankenpen se tivesse vindo com clipe... Depois de procurar fotos, encontrei uma onde aparecia a tampa em close. O clipe imitava a flecha da Parker. Revirando as sucatas, encontrei um velho clipe de Parker 51 Vacumatic que serviu direitinho.
Tampa colada, limpeza geral e fixação das peças internas (já que o "ink sac" incrivelmente estava íntegro...) e a caneta ficou pronta. Pode não ser uma caneta de "pedigree", mas há poucas sensações mais agradáveis do que tirar uma caneta da lata do lixo...
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Frankenpen I - Parker 21 MkII
A Parker 21, é uma das canetas mais bem sucedidas da Parker. Fazer parte de uma família real sem perder valor e brilho para a rainha, é algo só possível para quem tenha muita personalidade. A Parker 21, foi lançada durante o reinado da Parker 51. A Parker 51 era fabricada com materiais e técnicas dos mais inovadores, o que rapidamente tornou-a objeto de desejo da maioria dos aficcionados por canetas.
Tais técnicas e materiais especiais, faziam da Parker 51 uma caneta CARA. A missão da Parker, era projetar e lançar no mercado uma caneta parecida com a 51, mas que pudesse custar mais barato em virtude de materiais e técnicas mais simples. Atingindo esse objetivo, estariam atendidos dois mercados principais, o dos usuários que não desejavam gastar demais com uma caneta e o mercado dos estudantes que queriam se livrar das pouco práticas penas de mergulho.
Nascia a Parker 21, diferente da 51 nos seguintes quesitos:
- Polímero: Poliestireno ao invés de acrílico;
- Acabamento da Tampa: Cromeadas e não folheadas a ouro;
- Protetor do ink sac: Desenho mais simples e econômico de material;
- Pena: Apesar de embutida, era recurva e não cilíndrica como na 51;
- Clipe: Sem o formato tradicional de flecha
Remexendo velhos achados em casa, encontrei uma Parker 21 MkII. Segunda geração da Parker 21, tinha pena integrada ao conjunto do "shell" (a região de empunhadura que cobre a pena) e clipe da tampa do tipo "hollow" (oco). Estado geral: Clipe com alguns pontos de corrosão por perda do cromo e pena sem o insert da ponta (o famoso "irídio"). Ninguém na família conseguiu afirmar com certeza quem tinha sido o dono/usuário dela.
A primeira idéia de quem vai consertar uma caneta, é substituir a(s) peça(s) avariadas por peças originais. No caso de uma Parker 21, essa tarefa é muito mais difícil do que parece a princípio. Projetada para ser uma caneta barata, a grande maioria quando fora de serviço, estava destinada ao lixo. Dessa forma, pouca gente guardou canetas que pudessem ser doadoras de peças e menos gente ainda tem peças de reposição novas para elas. Em outras palavras, como diz o popular: "NÃO VALE A PENA CONSERTAR"...
Mas as partes em polímero do corpo da caneta, estavam perfeitas, algo não muito comum em velhas Parker 21, pois o poliestireno é um polímero quebradiço e relatos de Parker 21 trincadas são muito comuns. Além disso, o "ink sac" estava íntegro e sem nenhum vazamento.
A desoxidação do clipe e a substituição da pena, poriam a caneta novamente em forma, mas depois de vários e-mails para muitas empresas especializadas, descobri que uma pena de Parker 21 era algo quase inexistente.
Fui então revirar a caixa de sucatas de canetas. Lá estava uma Parker 15 que usei diariamente por 20 anos. Essa caneta é conhecida atualmente como Parker Jotter tinteiro. Caneta muito simples, mas equipada com uma pena extremamente macia. Analisando a pena da Parker 15 na lupa, verifiquei que o insert da ponta estava perfeito.
Desmontado o conjunto alimentador/pena da Parker 21, constatei que a pena da 21 tinha o formato frontal ligeiramente diferente da 15 e o comprimento ligeiramente maior, mas a LARGURA era a mesma, o que permitiria o encaixe e fixação ideais.
Veja a seguir, fotos da caneta, que está perfeita e funcional. E o mais importante: Uma pena perfeita que equipava uma caneta quebrada, não foi parar no lixo... Importante observar, que essa adaptação, pode ser considerada como simples. O componente enxertado, apesar de fundamental, é da mesma marca e pela montagem embutida praticamente não mudou o visual original nem a funcionalidade da caneta.
Tais técnicas e materiais especiais, faziam da Parker 51 uma caneta CARA. A missão da Parker, era projetar e lançar no mercado uma caneta parecida com a 51, mas que pudesse custar mais barato em virtude de materiais e técnicas mais simples. Atingindo esse objetivo, estariam atendidos dois mercados principais, o dos usuários que não desejavam gastar demais com uma caneta e o mercado dos estudantes que queriam se livrar das pouco práticas penas de mergulho.
Nascia a Parker 21, diferente da 51 nos seguintes quesitos:
- Polímero: Poliestireno ao invés de acrílico;
- Acabamento da Tampa: Cromeadas e não folheadas a ouro;
- Protetor do ink sac: Desenho mais simples e econômico de material;
- Pena: Apesar de embutida, era recurva e não cilíndrica como na 51;
- Clipe: Sem o formato tradicional de flecha
Remexendo velhos achados em casa, encontrei uma Parker 21 MkII. Segunda geração da Parker 21, tinha pena integrada ao conjunto do "shell" (a região de empunhadura que cobre a pena) e clipe da tampa do tipo "hollow" (oco). Estado geral: Clipe com alguns pontos de corrosão por perda do cromo e pena sem o insert da ponta (o famoso "irídio"). Ninguém na família conseguiu afirmar com certeza quem tinha sido o dono/usuário dela.
A primeira idéia de quem vai consertar uma caneta, é substituir a(s) peça(s) avariadas por peças originais. No caso de uma Parker 21, essa tarefa é muito mais difícil do que parece a princípio. Projetada para ser uma caneta barata, a grande maioria quando fora de serviço, estava destinada ao lixo. Dessa forma, pouca gente guardou canetas que pudessem ser doadoras de peças e menos gente ainda tem peças de reposição novas para elas. Em outras palavras, como diz o popular: "NÃO VALE A PENA CONSERTAR"...
Mas as partes em polímero do corpo da caneta, estavam perfeitas, algo não muito comum em velhas Parker 21, pois o poliestireno é um polímero quebradiço e relatos de Parker 21 trincadas são muito comuns. Além disso, o "ink sac" estava íntegro e sem nenhum vazamento.
A desoxidação do clipe e a substituição da pena, poriam a caneta novamente em forma, mas depois de vários e-mails para muitas empresas especializadas, descobri que uma pena de Parker 21 era algo quase inexistente.
Fui então revirar a caixa de sucatas de canetas. Lá estava uma Parker 15 que usei diariamente por 20 anos. Essa caneta é conhecida atualmente como Parker Jotter tinteiro. Caneta muito simples, mas equipada com uma pena extremamente macia. Analisando a pena da Parker 15 na lupa, verifiquei que o insert da ponta estava perfeito.
Desmontado o conjunto alimentador/pena da Parker 21, constatei que a pena da 21 tinha o formato frontal ligeiramente diferente da 15 e o comprimento ligeiramente maior, mas a LARGURA era a mesma, o que permitiria o encaixe e fixação ideais.
Veja a seguir, fotos da caneta, que está perfeita e funcional. E o mais importante: Uma pena perfeita que equipava uma caneta quebrada, não foi parar no lixo... Importante observar, que essa adaptação, pode ser considerada como simples. O componente enxertado, apesar de fundamental, é da mesma marca e pela montagem embutida praticamente não mudou o visual original nem a funcionalidade da caneta.
A Parker 21 MkII com pena da Parker 15/Jotter
Frankenpens
Mary Shelley é o nome da escritora. Britânica nascida em Londres no ano de 1797. Ficou famosa por um romance onde narra a história de um estudante de ciências naturais que acredita ter descoberto o segredo da fonte da geração da vida. Em seus estudos e experiências, cria um monstro. O nome do estudante? Victor Frankenstein...
O monstro, criado com pedaços de cadáveres, acabou populando o inconsciente coletivo. O sucesso da obra, tornou a palavra Frankenstein, um sinônimo de objeto construído com peças de diversos outros objetos. O termo foi adaptado e remodelado ao longo dos anos. No mundo das canetas, acabou tornando-se FRANKENPEN.
Canetas de boa qualidade, são fabricadas visando entre outros objetivos, a DURABILIDADE. Objetos duráveis, são feitos com componentes duráveis. Por vezes, uma caneta aparentemente inútil, tem vários componentes que estão em perfeita ordem e que por isso, poderiam facilmente voltarem a trabalhar. Ocorre entretanto, que freqüentemente não se encontra peças de reposição, por várias razões como modelo descontinuado, modelo raro (logo fabricou-se poucas peças e unidades) ou até mesmo pela demasiada simplicidade do modelo, que levou o fabricante a enquadrá-lo como descartável.
Um "caneteiro", raramente joga fora uma peça, por mais inútil que possa parecer. Como filho de ex-sucateiro, levo muito a sério essa regra. Uma Frankenpen, é portanto uma caneta que retomou sua funcionalidade, através da montagem com componentes de modelos e até mesmo de marcas diferentes.
Nos próximos posts, vou mostrar quatro canetas que foram salvas da lata de lixo através de enxertias de peças.
O monstro, criado com pedaços de cadáveres, acabou populando o inconsciente coletivo. O sucesso da obra, tornou a palavra Frankenstein, um sinônimo de objeto construído com peças de diversos outros objetos. O termo foi adaptado e remodelado ao longo dos anos. No mundo das canetas, acabou tornando-se FRANKENPEN.
Canetas de boa qualidade, são fabricadas visando entre outros objetivos, a DURABILIDADE. Objetos duráveis, são feitos com componentes duráveis. Por vezes, uma caneta aparentemente inútil, tem vários componentes que estão em perfeita ordem e que por isso, poderiam facilmente voltarem a trabalhar. Ocorre entretanto, que freqüentemente não se encontra peças de reposição, por várias razões como modelo descontinuado, modelo raro (logo fabricou-se poucas peças e unidades) ou até mesmo pela demasiada simplicidade do modelo, que levou o fabricante a enquadrá-lo como descartável.
Um "caneteiro", raramente joga fora uma peça, por mais inútil que possa parecer. Como filho de ex-sucateiro, levo muito a sério essa regra. Uma Frankenpen, é portanto uma caneta que retomou sua funcionalidade, através da montagem com componentes de modelos e até mesmo de marcas diferentes.
Nos próximos posts, vou mostrar quatro canetas que foram salvas da lata de lixo através de enxertias de peças.
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